Sanfoneiro de Chapéu
Ele ajeita o chapéu torto sol quente não espera cristão a boca racha, a língua seca tu ri achando graça eu sinto a sede primeiro
Chega mais perto, cabra o chão levanta pó ninguém passa de verdade palha cola na canela a sanfona chia seca
Tu pergunta se isso é xote é o que dá pra hoje ele cospe grosso a poeira bebe primeiro meu pé marca no barro duro
Eu digo que a sanfona chora choro é quando acaba o suor desce barrento o chapéu no chão junta moeda terra e ferrugem misturadas
Quando ele fecha a sanfona amanhã é outro dia tu já foi atrás de sombra eu fico com sede ainda fica não, rapaz mas fico com esse som áspero raspando por dentro