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Poema · Ago. 2025 · Salvador – BA

Sanfoneiro de Chapéu

Matheus Occhiali

Ele ajeita o chapéu torto sol quente não espera cristão a boca racha, a língua seca tu ri achando graça eu sinto a sede primeiro

Chega mais perto, cabra o chão levanta pó ninguém passa de verdade palha cola na canela a sanfona chia seca

Tu pergunta se isso é xote é o que dá pra hoje ele cospe grosso a poeira bebe primeiro meu pé marca no barro duro

Eu digo que a sanfona chora choro é quando acaba o suor desce barrento o chapéu no chão junta moeda terra e ferrugem misturadas

Quando ele fecha a sanfona amanhã é outro dia tu já foi atrás de sombra eu fico com sede ainda fica não, rapaz mas fico com esse som áspero raspando por dentro

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