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Poema · Dez. 2024 · Salvador – BA

Que Pena, Sky

Matheus Occhiali

Aqui, o vento chama. Cambaxirra voa. Bem-te-vi cega. Tié pinga no galho.

A arma cala. E o silêncio acerta. Não há fuga. Há o instante. E o instante é cartucho.

Se fores asa, corta o vento. Se fores pena, que seja queda. Se fores sombra, que seja chão. Mas não caias mudo. Canta. Mesmo que sangre. Mesmo que seja último.

O voo é oferenda. Quem mira, guarda. Quem observa, colhe. Quem escreve, entalha. Quem cala, morre. E o instante... é pena.

O homem come. O corvo sorri. O urubu esberra. A pena sobra.

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