Ouro Velho
Santinho, minha terra, és ouro velho. Ainda és.
O Subaé leva, mas não esquece. Rói as margens gastas.
O tambor foi chamado, jaz calado, mas pulsa.
Lavram o chão, água nos degraus, flores nos braços. Nossa Senhora, purifica.
Um dia, a praça encheu. Cavalos, estandartes. Atenção! O imperador chegou. Falou, acenou, mijou. Foi-se.
Filhos do Sol, canto ecoa, a estrela ainda brilha.
O barão morreu. O Bembé resiste.
As ruas seguem, gastas, mudas. O tempo roça sem parar.
Quem passa olha. Quem fica sabe. E o resto? Que reste. Ou que Deus nos salve.