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Poema · Mar. 2025 · Salvador – BA

Ouro Velho

Matheus Occhiali

Santinho, minha terra, és ouro velho. Ainda és.

O Subaé leva, mas não esquece. Rói as margens gastas.

O tambor foi chamado, jaz calado, mas pulsa.

Lavram o chão, água nos degraus, flores nos braços. Nossa Senhora, purifica.

Um dia, a praça encheu. Cavalos, estandartes. Atenção! O imperador chegou. Falou, acenou, mijou. Foi-se.

Filhos do Sol, canto ecoa, a estrela ainda brilha.

O barão morreu. O Bembé resiste.

As ruas seguem, gastas, mudas. O tempo roça sem parar.

Quem passa olha. Quem fica sabe. E o resto? Que reste. Ou que Deus nos salve.

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