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Poema · Fev. 2026 · Salvador – BA

Desorgulho

Matheus Occhiali

Como se fala do que não se orgulha? Diz-se em voz baixa ou simplesmente não se diz? Há palavras suficientes para aquilo que não foi erro, mas também não foi digno? Em que momento começa o breu?

O que fazer com o instante em que eu sabia? Por que justamente isto volta? Por que ninguém percebeu nada? Por que eu percebi tanto? É possível esquecer aquilo que não teve consequência?

Se não houve dano, por que permanece? Se passou, por que retorna quando tudo aquieta? Confessar tornaria menor ou apenas mais real? Há forma honesta de contar sem parecer desculpa? Ou o desorgulho existe justamente porque não se responde?

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