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Poema · Mar. 2025 · Salvador – BA

Cinzas de Quarta

Matheus Occhiali

O verão esqueceu de ir embora. E guardo ainda as cores, como quem veste a esperança; sem promessa de festa.

À quero, flores batem devagar, educado, sorrio. E aponto o jardim ao lado. Não é delas minha quaresma.

As horas chegam sem aviso. Guardo-as. Chico ecoa um cálice. Viver, talvez, seja isso; essa espera, absurda, por uma quarta-feira que nunca amanhece.

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